Livro | Estratégias autoritárias do Estado empregador: assédios e resistências (2017)

Capa do lilvro Estratégias autoritários do Estado empregador: assédios e resistências

Este livro é um convite à reflexão coletiva e à formulação sobre temas a um só tempo complexos e delicados. Condensa estudos de pesquisadores de oito programas de pós-graduação (PPGD/UFPR, PPGHCTE/UFRJ, PPGH/UFF, PPGCS/UNICAMP, PPGD/UFAL, PPGE/ UFSC, PPGP/UFSC, PPGA/UFSC) e advogados de sindicatos comprometidos com as lutas sociais. É fruto de financiamento institucional, promovido em rede por núcleos de pesquisa de pós-graduação e extensão (LEMA/UFRJ e NDCC/UFPR), OAB-RJ (Comissão de Direitos Humanos) e CNASP (Coletivo Nacional de Advogados dos Servidores Públicos), para distribuição livre.

Trata, sob diversos aspectos, de violações à saúde e à vida privada de trabalhadores brasileiros. Analisa a tensão permanente a que esta classe está submetida no seu cotidiano, quando do complexo exercício dialético entre luta e subordinação, ora na busca por autonomia, ora na exposição à precariedade dos modos de ser neste tempo histórico. A vida “embrulha tudo”, como diz Guimarães Rosa: “aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta”. Assim é que são necessárias redes de colaboração, para que estejamos atentos solidariamente, nunca sozinhos, às graves transformações neoliberais em curso no Brasil, com impactos devastadores sobre a saúde daqueles e daquelas que vivem do trabalho. Como conclui Rosa: “O que a vida quer da gente é coragem”.

Para o esforço de organização da reflexão sobre o tema, o livro se estrutura em quatro partes. Na primeira, analisa o Estado e as reformas em curso no Brasil (“Estado, Reformas e Neoliberalismo”). Na segunda, relaciona as reformas com o fenômeno do assédio moral (“Administração pública e assédio moral”). Na terceira, aborda alguns processos de resistência que têm sido acompanhados por nossa rede de colaboradores (“Resistências aos golpes de classe”). Na quarta, enfim, apresentamos resenhas sobre três livros recentes: a interpretação do golpe por Plínio de Arruda Sampaio Jr. (“Crônica de uma crise anunciada”), a relação entre assédio moral na administração pública e atuação dos sindicatos (“Assédio moral em organização pública e a (re)ação dos sindicatos”, organizado por Suzana Tolfo, Thiago Nunes e Magnus L. E) e, também, da relação entre estrutura e consciência social na visão de István Mészáros (“Estrutura social e formas de consciência II: a dialética da estrutura e da história”).

O filósofo húngaro, que possuía forte relação com pesquisadores e movimentos sociais brasileiros, faleceu recentemente, mas sua obra permanece relevante e necessária, na luta contra a destruição da natureza e do homem pelo homem. Encerramos esta apresentação com um trecho de recente entrevista, concedida à revista Carta Capital, que nos encoraja a enfrentar pela raiz nossos problemas:

Nossa sociedade acostumou-se a jogar os problemas para debaixo do tapete. Nosso tapete histórico está se tornando uma montanha. E está cada vez mais difícil caminhar sobre ele. Rosa Luxemburgo dizia: ‘Socialismo ou barbárie’. Eu complemento: ‘barbárie, se tivermos sorte’.

Rio de Janeiro e Curitiba, 05 de outubro de 2017.

UFPR, Programa de Pós-Graduação em Direito, NDCC (Núcleo de Direito Cooperativo e Cidadania);

UFRJ, Instituto de Economia, LEMA (Laboratório de Estudos Marxistas);

CNASP (Coletivo Nacional de Advogados dos Servidores Públicos);

OAB-RJ, Comissão de Direitos Humanos.


Assista a uma breve apresentação deste livro:

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